Entrevista com Miriam Kina e Bia Nagano, sócias-proprietárias do Kina Restaurante
Mãe e filha compartilham os bastidores da gestão do Kina Restaurante, falam sobre sucessão familiar, inovação, liderança feminina e os desafios de manter a tradição da culinária japonesa.

O mercado gastronômico, majoritariamente comandado por homens, ganha um capítulo à parte em Fortaleza quando o assunto é culinária japonesa. À frente do Kina Restaurante, uma das marcas mais consolidadas da cidade com operações nos shoppings Del Paseo, Iguatemi e Benfica, estão duas mulheres: Miriam Kina e sua filha, Bia Nagano. Em uma entrevista exclusiva para o Gastronomia e Mídia, mãe e filha compartilham os bastidores de uma transição geracional que une o respeito à cultura tradicional e a oxigenação do marketing digital.
A história do Kina é o desdobramento de um legado que começou bem antes, com o restaurante Kingyo, fundado por Miriam, seu irmão Hitoshi Kina e o sócio Elcio Nagano. "O Kina é um filho do Kingyo", explica Miriam. Quando a administração de um shopping local convidou a marca para abrir as portas em suas dependências, os fundadores entenderam que o modelo altamente sofisticado do Kingyo precisava ser adaptado para a dinâmica ágil de um centro comercial.
Nascia assim o Kina: uma operação com proposta fast-food, cardápio mais enxuto, preço justo e excelente custo-benefício, mas sem abrir mão da rigorosa qualidade da matriz. Com o tempo, Elcio preferiu concentrar-se na operação de eventos, deixando a expansão do Kina sob a liderança firme da família. Atualmente, a divisão societária das unidades reflete essa evolução: Hitoshi Kina é o sócio responsável pela operação do Shopping Del Paseo, enquanto Bia Nagano está à frente das sociedades das unidades nos shoppings Benfica e Iguatemi, sempre em parceria com Miriam.
Para Bia Nagano, o restaurante nunca foi apenas um negócio, mas parte de sua própria identidade. "Eu cheguei aqui com dois anos de idade. Meus pais faziam eventos em casa, cozinhavam... Eu nasci introduzida nesse meio", relembra Bia, que se graduou em Administração já focada em dar continuidade ao legado da família.

Se por um lado Bia absorveu de Miriam a paixão pela gastronomia, por outro teve de aprender a lidar com as necessárias concessões do mercado local. Miriam, criada dentro dos moldes da culinária japonesa tradicional, confessa que o maior desafio inicial foi adaptar o paladar oriental ao gosto cearense: "O nosso sushi é mais tradicional. Tivemos que fazer adaptações para colocar ingredientes que o consumidor pedia, como queijo (cream cheese) e frituras. Até o arroz precisou ser moldado de forma um pouco mais firme, porque as pessoas aqui têm o hábito de molhar o arroz diretamente no shoyu, o que desmancharia o niguiri tradicional", revela Miriam.
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